Antonov 22
Recife, 4 de Jan 1999


Acidente interdita pista do aeroporto

Avião russo sofre pane no trem de pouso e faz aterrissagem de emergência, tumultuando o Guararapes

Um avião cargueiro russo, modelo Antonov, pesando 140 toneladas, fez uma aterrissagem de emergência, ontem, no Aeroporto dos Guararapes, depois de sofrer problemas mecânicos. O trem de pouso recolheu e a aeronave se arrastou por cerca de 700 metros antes de conseguir parar. O acidente aconteceu às 5h45 e interditou a pista principal do aeroporto. Até o início da noite estava sendo aguardado um equipamento do Rio de Janeiro para retirar a aeronave. Por mais de seis horas, as decolagens e aterrissagens ficaram suspensas. No final da manhã, foram autorizadas as operações com aviões de pequeno porte, mas às 17h37 o aeroporto foi completamente fechado. Muitos vôos foram transferidos para o aeroporto de João Pessoa. A previsão é de que ao meio-dia de hoje, a pista principal seja liberada e tudo volte ao normal. A partir das 5h10, serão reiniciadas as operações com aviões de pequeno porte.

O avião cargueiro vinha de Curitiba (PR), trazia vinte tripulantes e nenhum equipamento. O destino era a cidade de Tenerife,nas Ilhas Canárias, Espanha. Segundo o supervisor da Infraero, Fernando Nicácio da Cunha Filho, estava previsto um pouso técnico da aeronave, no Recife. "O avião iria pousar para ser abastecido. Chegou a receber autorização, mas teve problemas técnicos com o trem de pouso", explicou o supervisor. Ele acrescentou que este não é um problema comum.

Outro avião estava ocupando a pista auxiliar e, por esse motivo os vôos e aterrissagens ficaram suspensos por seis horas. De acordo com um funcionário da Infraero, que não quis se identificar, a aeronave que prejudicou a utilização desta segunda pista é de origem ulcraniana e está proibida de decolar, há uma semana, por falta de pagamento de taxas operacionais.

A partir das 11h30, aviões com capacidade para até 60 passageiros (modelo 727-100) foram autorizados para pouso e decolagem. "A pista principal tem 3,1 mil metros de comprimento, mas por questões de segurança não podíamos utilizar nenhuma das duas pistas, até a total desobstrução de uma delas. O jeito foi encaminhar as aeronaves para aeroportos vizinhos, como o de João Pessoa", disse Fernando Nicácio Filho.

IRRITAÇÃO - Apesar da Infraero não fornecer o número exato de vôos e pousos cancelados, a irritação dos passageiros era visível. No balcão de informações, todos buscavam soluções para o problema. Alguns perderam o dia de trabalho, reuniões importantes e até cursos de reciclagem profissional.

Nem mesmo a garantia de hospedagem e de declarações das companhias aéreas, justificando o problema, foram suficientes para acalmar os ânimos dos mais exaltados. O engenheiro civil Marcelo Cavalcante era um dos inconformados. "Tenho um projeto importante para apresentar e não posso esperar que vocês resolvam o problema, quando puderem. É um absurdo que o aeroporto não esteja preparado para emergências como esta", criticou.

A atendente da Varig, Maria Angélica Falbo, contou que cinco vôos da empresa foram cancelados de manhã. "Estamos providenciando a hospedagem de cerca de 180 pessoas, em diferentes cidades", explicou.



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