Boeing da Egypt Air fez mergulho em velocidade supersônica
Boeing da Egypt Air fez mergulho em velocidade supersônica Os dados dos radares sugerem que o avião permaneceu "relativamente intacto" até que se despedaçou contra a superfície do mar. Passageiros viveram dois minutos de horror



Análises dos dados de radares sobre os últimos momentos de vôo do Boeing 767 da Egypt Air e a observação dos fragmentos do avião e dos restos humanos que estão sendo resgatados no mar, na costa de Massachusetts, indicam que o avião permaneceu "relativamente intacto" até o momento em que se despedaçou no impacto contra a superfície do mar - a velocidade supersônica.

Em meio a muitas especulações sobre a causa da tragédia de domingo, especialistas recordaram que, horas depois da queda do Boeing da TWA que explodiu no ar, em 1996, as equipes de busca retiraram do mar grandes pedaços do aparelho e dezenas de cadáveres. Até ontem sóhavia sido resgatado um corpo do avião egípcio, e as autoridades já avisaram aos parentes das 217 vítimas que dificilmente serão encontrados corpos inteiros.

Investigadores e especialistas em assuntos aeronáuticos americanos não conseguem chegar a uma conclusão sobre o que realmente aconteceu com o vôo 990 da Egypt Air. Por enquanto, a hipótese mais aceita tem por base informação divulgada anteontem à noite de que um tripulante do 767 havia comunicado, no início do vôo, em Los Angeles, um problema no reversor de empuxo de uma das turbinas.

Horas antes, a Administração Federal de Aviação (FAA) informara que estava a ponto de determinar inspeções e modificações nos reversores de empuxo dos Boeing 767 dias antes da tragédia com o avião egípcio.

Impacto supersônico

Jim Hall, diretor da Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), disse ontem em Newport, Rhode Island, onde está centralizada a operação de resgate das vítimas do Boeing egípcio, que no momento da queda o avião estava a uma altitude de 10 mil m e começou a cair repentinamente - em 36 segundos já estava a menos de 6 mil m - a uma velocidade de 7.300 m por minuto, o que o levou a superar a barreira do som, alcançando uma velocidade de 1.111 km/h no momento do impacto. A torre de controle do aeroporto Kennedy, em Nova York, seguiu o avião até que o radar de bordo parou de enviar os indicadores de altitude. Isso parece indicar que houve um corte de eletricidade.

Um avião não cai nesse ritmo a menos que ocorra algo", disse Billie Vincent, ex-chefe de segurança da FAA. O que já parece certo é que a fuselagem estava "relativamente intacta", como disse um funcionário da NTSB, quando bateu na superfície do mar com "força tremenda".

No Cairo, o vice-presidente da Egypt Air, Mohamed Shahin, admitiu que o reversor de empuxo de uma das turbinas foi desativado antes da partida do Boeing 767 para os EUA, mas salientou que se tratou de "uma medida técnica, que não implica nenhum perigo e é aprovada pela Boeing e pela FAA". Shahin não explicou por que o reversor de empuxo, utilizado para ajudar a desaceleração do aparelho após a aterrissagem, foi desativado.

Segundo Hall, além do problema com o reversor de empuxo, a tripulação do avião comunicou que um dos avisos luminosos do sistema de ar condicionado acendia incessantemente, sem motivo. Além disso, dois pneus do trem de aterrissagem foram trocados em Los Angeles.

As equipes de resgate continuavam ontem em busca das "caixas pretas" do avião, com os registros do vôo. Navios da Guarda Costeira recolheram apenas pequenos pedaços do aparelho e restos humanos dispersos pela área da queda. Em Düsseldorf, na Alemanha, um médico alemão e sua mulher negaram-se ontem a embarcar num Boeing 767 da companhia alemã LTU com destino a Cancún (México) após tomar conhecimento de que o reversor de uma das turbinas estava com defeito.

From: JT Web - http://www.jt.com.br/noticias/99/mes/dia/it3.htm

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