Aula 11 – Voando IFR no ATP: o RMI

Surgido em 1989, o programa Flight Assignment  ATP, ou simplesmente ATP, da Sublogic é na minha opinião um dos melhores simuladores de IFR já surgidos. Concordo que seus gráficos não tem como ser comparados aos do FS5. Mas em termos de realismo de simulação ele é um dos melhores, possivelmente o melhor.

O ATP possui um painel  IFR BEM melhor que o do FS5. Conta inclusive com um HSI (Horizontal Situation Indicator) e com um RMI (Rádio Magnetic Indicator) que facilitam enormemente a orientação no vôo por instrumentos. Explicarei aqui os princípios básicos do funcionamento destes dois instrumentos.

O RMI:

O Rádio Magnetic Indicator é um giro direcional, acoplado a uma bússola magnética remota (Flux Gate) localizada em uma das pontas das asas, a fim de minimizar o efeito do campo magnético do avião. Essa bússola envia informação precisa do Norte Magnético ao cartão de um giro direcional contendo os 360 graus, e cuja precessão  é corrigida permanentemente, mantendo-se o norte do giro  sincronizado por amplificador com o norte magnético da flux gate. Os ponteiros desse instrumento podem  exibir sobre um mesmo eixo e alternativamente até mesmo as indicações dos  ADF’s 1e2 e também dos VOR’s 1e2. O interessante desse instrumento é que ele tem a capacidade de “transformar” um VOR em um ADF de grande precisão, isto é, o seu ponteiro pode apontar diretamente para uma estação de VOR, nos permitindo instantaneamente saber qual o curso para o VOR, sem termos que usar o OBS, pois o OBI está constantemente exposto integralmente aos nossos olhos, e os ponteiros constantemente nos mostrando o curso para e a radial do VOR. Outra vantagem é que ele mostra diretamente o QDM para um NDB, sem termos que fazer aqueles cálculos com marcações relativas. Mas o piloto deverá ter uma atenção muito grande ao usar as combinações possíveis no RMI, têm acontecido incidentes e acidentes porque alguns pilotos se têm distraído e confundido as indicações dos VOR com as de NDB. Veja os seus componentes.

 

Vamos ver um exemplo: Suponha que estamos voando com proa 010 e passando próximos a um NDB e um VOR. Para acharmos o QDM e o curso respectivamente, teríamos que aplicar todas aquelas técnicas já ensinadas. Com o RMI basta selecionar o indicador 1 para ADF e o indicador 2 para VOR e temos a visualização imediata da nossa posição. Veja a figura:

 

Note que se não tivéssemos o RMI teríamos que somar à  nossa proa a relativa de 310 graus, para achar o QDM 320. Teríamos ainda que girar o OBI até o indicador ficar em TO e centrar o CDI para saber qual o curso. No RMI basta olharmos diretamente para os ponteiros para vermos que estamos no QDM 320, CURSO 060 e se olharmos para a traseira da seta veremos que estamos na RADIAL 240. Veja como ele pode lhe facilitar a vida em um procedimento arco DME: Basta Selecionar um dos ponteiros indicadores para o VOR do procedimento e mantê-lo sempre no seu través durante o arco, após atingir a distância requerida no procedimento. O RMI nos dá uma visão completa da posição do avião com referência aos NDB’s e VOR’s. Estamos sempre na cauda do ponteiro, com a proa indicada na bússola  giro-magnética, o centro do instrumento (eixo dos ponteiros) é a antena ; e a ponta do ponteiro, o curso para a estação. O CDI  do VOR vê ampliado um setor de 20 graus que envolve nosso curso ou radial selecionada, e adiciona precisão multiplicada nas aproximações para pouso. Mas acima de 10 graus de ângulo para cada lado, não indica mais nada, se não formos girando manualmente o OBS. O RMI faz tudo isso para nós e nos leva tranqüilamente para o setor de 20 graus que queremos voar no centro.