O Beta do Microsoft Flight

Há exatamente uma semana, em quatro de janeiro de 2012, a Microsoft liberou para os beta testers cadastrados o Microsoft Flight, sua nova aposta na famosa franquia de simuladores de vôo.

A excitação fez muitos baixarem imediatamente. Mas aqueles que levam a simulação à sério logo tiveram uma decepção e entenderam porque o título é apenas Flight, sem o Simulator: infelizmente ele não simula aviação de verdade, virou um arcade game para as massas.

Sim meu caro leitor, a palavra Simulator foi retirada do título do software por que ele não é mais um simulador. É um monte de coisas, mas não um simulador de vôo como o FS2004 ou o FSX.

É um fato que desde 2006 a Microsoft vinha reclamando que ela não ganhava um centavo com a indústria de add-ons que se desenvolveu em torno do seu framework/moldura de simulação.

Vamos recapitular: desde tempos imemoriais, a Microsoft contentava-se em desenvolver uma “moldura” básica de simulador, com cenários e aeronaves que ela dizia serem bons, mas todos sabem que não são. Porém ao publicar os SDKs (Software Development Kit) ela tornava público a comunidade de desenvolvedores como fazer add-ons para acrescentar cenários, aviões e funções inovadoras a sua moldura básica.

Isso impulsionou a franquia do Microsoft Flight Simulator a ser o que ele é hoje! A comunidade cresceu e tornou-se viva e pujante. No início tudo era freeware ou shareware. Mas logo apareceram as softhouses e mesmo desenvolvedores individuais com uma visão comercial, e aos poucos muita coisa boa passou a ser cobrada e muita gente paga por esses produtos.

E como já foi dito a Microsoft jamais viu um centavo sequer deste dinheiro. Então uma das primeiras decisões do novo Microsoft Flight: NÃO TORNAR O SDK PÚBLICO. Sendo assim, desenvolvedores como PMDG, Carenado, Orbx, Aerosoft, etc não vão ter como fazer add-ons. Projetos como VATSIM e IVAO de controle de vôo também estão ameaçados, ao menos do jeito que os conhecemos hoje.

Não, pior! Eles não vão poder fazer add-ons e torná-los disponíveis a você. O único jeito de se adicionar conteúdo é pelo login no Games for Windows Live, como se fosse um jogo do seu famoso console Xbox360. O que significa que qualquer add-on só poderá ser comprado através da Microsoft, que passará a controlar o conteúdo do que poderá ser adicionado ao seu simulador jogo.

 

Vamos ao que já sabemos então. Esta primeira versão da moldura Microsoft Flight será de download gratuito (sim, download, não vai haver versão de DVD/Box) e trará apenas as ilhas do Havaí para se voar. Parece que ele também vai ser lançado para o console de jogos Xbox360 e para os celulares que rodam o Sistema móvel Windows.

O download de mais de um gigabyte traz um avião, um ultraleve experimental chamado Icon A5. Mas você poderá logo baixar um Boeing Stearman N2S do Games for Windows Live. Pinturas extras estarão disponíveis a medida que você alcance marcos preestabelecidos, como tantos minutos de vôo multiplayer, ou tantos pousos ou complete missões. Screenshots oficiais ainda mostram um Maule M7 e outro monoplano de asa baixa.

Até este momento nada de jatos!

Para habilitar o free flight como no FSX você é obrigado a cumprir dois vôos roteirizados primeiro, num clássico estilo arcade onde eles tentam mostrar ao piloto jogador a nova disposição dos comandos no teclado. É você viu tudo! Mudaram todas as teclas de atalho de lugar de novo!

 

Como você fez o seu login no Games for Windows Live, o seu perfil de piloto está lá com todos os seus feitos, conquistas e burradas. Será que é possível que você abra seu perfil no computador de um amigo e voe contando pontos para você? Não sabemos.

A parte de realismos de vôo limita-se a quatro itens! Um aumento de estabilidade, um auxilio nos freios, a mistura dos motores a pistão automática e a diminuição dos efeitos da hélice (deve ser o Torque e o P-Factor do FSX combinados).

Existe ainda o free flight, mas também as missões como no FSX e um novo nivel de missões chamado Aerocache Hunt, onde você recebe dicas do que buscar, procura na internet o que deve ser e então decola para achar o Aerocache. Para pegar alguns Aerocaches é necessário sair de dentro do avião. Você pousa, desliga o motor e então sai do avião, andando a pé pelo cenário.

A parte visual foi reescrita com certeza, mas ainda não está certo se é um novo código ou apenas o anterior melhorado. As sombras do próprio avião parecem mais bonitas, mas só isso.

Segundo um representante do time de desenvolvimento, está-se optando por cenários de regiões pequenas porém bem detalhadas, que dão bem certo dentro da política de vendas. Entretanto um cenário global do mundo, mesmo que com poucos detalhes, parece não estar nos planos. Sendo assim esqueça grandes navegações com o seu 737. Um 747 ou 777 então será puro desperdício.

 

A parte de vôo… Não melhorou muito. O Stearman não faz sequer um parafuso direito! Tanto ele quanto o Icon A5 parece que flutuam e não voam.

Como é possível sair do avião e caminhar como se fosse um jogo de tiro em primeira pessoa, podemos pensar que eles estão buscando uma moldura padrão para a união de várias plataformas de “simulação”, aviões, carros, barcos, trem. Você desembarca do seu Stearman, atravessa o FBO/aeroclube e entra no seu carro e dirige até a marina, trocando alguns tiros no caminho entrando por fim na sua lancha, veleiro ou Jet-ski. Parece bonito para alguns. Mas por favor, isso não é simulação de vôo.

Isso é o que se sabe até agora. O quanto isso ainda vai evoluir é apenas um exercício de futurologia. Pode ser um tremendo sucesso ao trazer o “vôo” para uma criança de cinco anos no seu Xbox, mas o risco de perder o simuleteiro mais sério para outras plataformas é enorme!

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André Ricardo Righetto